Alergia respiratória · Paciente

Prick test respiratório: rinite alérgica e asma

A alergia respiratória — rinite, asma e conjuntivite alérgica — é uma das queixas mais comuns no consultório de alergista, e o prick test (teste cutâneo de alergia) é o exame mais usado para investigar o gatilho. Num só atendimento de cerca de 15 minutos, um painel de aeroalérgenos dirigido pela sua história — ácaros, pólen, fungos, pelos de animais e baratas — ajuda o médico a entender o que está provocando os sintomas e a orientar o tratamento.

Resposta rápida

O que o prick test testa na rinite alérgica e na asma?

O prick test investiga os alérgenos do ar (aeroalérgenos) que disparam rinite e asma: ácaros da poeira, pelos de cão e gato, fungos, baratas e, conforme a região, pólen. O médico monta o painel a partir da sua história, aplica os alérgenos na pele do antebraço e lê o resultado em cerca de 15 minutos, no mesmo atendimento.

Rinite, asma e conjuntivite: o eixo da alergia respiratória

Rinite alérgica, asma e conjuntivite alérgica costumam andar juntas e, muitas vezes, aparecem no mesmo paciente. Estima-se que cerca de 26% a 30% da população brasileira conviva com alguma condição alérgica (estudos ISAAC e dados da ASBAI, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), e a via respiratória está entre as mais afetadas. Os três quadros têm sintomas reconhecíveis:

  • Rinite alérgica: espirros em sequência, coriza clara, coceira no nariz e nos olhos e nariz entupido. Pode ser sazonal (ligada ao pólen, mais comum em climas temperados) ou perene — relacionada a ácaros e animais, que é o padrão mais frequente no Brasil.
  • Asma alérgica: chiado no peito, falta de ar e tosse seca persistente, disparados por alérgenos que se respiram. Grande parte das asmas na infância tem componente alérgico.
  • Conjuntivite alérgica: coceira nos olhos, lacrimejamento, vermelhidão e inchaço nas pálpebras, em geral acompanhando a rinite.

Descobrir qual alérgeno está por trás dos sintomas é o primeiro passo do tratamento. Sem isso, o cuidado fica restrito a aliviar os sintomas com remédio, sem atacar a causa. É aí que entra o prick test.

O que é testado: o painel de aeroalérgenos

Aeroalérgenos são os alérgenos que circulam no ar e são inalados. O painel respiratório usado no Brasil reúne os mais comuns por aqui, agrupados em algumas categorias — mais os dois controles obrigatórios, que veremos adiante:

Ácaros da poeira

São a causa número um de alergia respiratória perene (o ano inteiro) no Brasil. O alérgeno não é a poeira em si, mas proteínas do corpo e das fezes do ácaro. Três espécies costumam ser testadas:

  • Dermatophagoides pteronyssinus
  • Dermatophagoides farinae
  • Blomia tropicalis — bastante presente no clima quente e úmido do Brasil

Os sintomas pioram ao deitar, em quartos com poeira e em épocas mais úmidas.

Pelos de cão e gato

São a segunda causa mais comum dentro de casa. O que dispara a alergia não é o pelo, e sim proteínas presentes na saliva, na pele e na urina do animal. Nenhuma raça é de fato “hipoalergênica”. Em quem tem asma, a sensibilização a animais pode aumentar o risco de crise.

Fungos (mofo)

Importantes em ambientes úmidos — banheiros, porões, ar-condicionado mal limpo e regiões com umidade alta. Os mais testados são Aspergillus, Alternaria, Cladosporium e Penicillium.

Baratas

Muitas vezes esquecida, a alergia a barata é relevante nas cidades brasileiras. O alérgeno está nas fezes, na saliva e em fragmentos do inseto, e pode persistir no ambiente mesmo depois de eliminadas as baratas vivas. As espécies testadas costumam ser a Periplaneta americana (barata-americana) e a Blattella germanica (barata-de-cozinha).

Pólen

Tem peso regional. É mais importante no Sul do país (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) em determinadas estações, ligado a gramíneas e a algumas árvores e ervas. Nas demais regiões, costuma pesar menos que os ácaros e os animais — por isso o pólen pode ou não entrar no painel, conforme onde o paciente vive.

Os dois controles que todo prick test precisa ter: a histamina (controle positivo, que deve formar uma pequena pápula e mostra que a pele está respondendo) e um líquido neutro, como soro fisiológico (controle negativo, que não deve reagir). Sem esses dois controles, o exame não pode ser interpretado com segurança.

Como o teste é feito

O prick test respiratório é simples e rápido, feito no próprio consultório:

  • O médico ou a equipe coloca pequenas gotas dos alérgenos do painel na pele do antebraço.
  • Em cada gota, faz-se uma micropuntura de superfície com uma microponta plástica (sem agulha de coleta e sem tirar sangue) para que um pouquinho do alérgeno toque a camada mais externa da pele.
  • Espera-se cerca de 15 minutos.
  • A leitura é feita ali mesmo, medindo as reações na pele.

Por ser um procedimento de superfície, praticamente não dói: a maioria das pessoas relata apenas uma picadinha leve ou uma coceira passageira no local. É um exame bastante usado também em crianças — veja a página sobre prick test em crianças.

Quando o painel é grande — algo entre 8 e 10 alérgenos é comum na investigação respiratória, e o número exato varia conforme o método —, existem sistemas que aplicam vários alérgenos de uma vez, em uma única passada padronizada, em vez de gota a gota. Isso encurta o tempo do exame e deixa a dose de cada alérgeno mais uniforme.

Como o resultado é lido

Passados os 15 minutos, o médico compara as reações na pele com o controle negativo:

O que aparece na peleO que costuma significar
Pápula (relevo) de 3 mm ou mais que o controle negativoResultado positivo: há sensibilização àquele alérgeno
Reação menor ou ausenteResultado negativo: baixa probabilidade de alergia mediada por IgE àquele alérgeno

Um detalhe que confunde muita gente: teste positivo não é o mesmo que doença alérgica. Ele mostra sensibilização — o corpo reconhece aquele alérgeno —, mas só vira diagnóstico quando bate com os sintomas. Quem faz essa ponte é o médico, cruzando o resultado com a sua história. A leitura e o laudo são um ato exclusivo do profissional (Conselho Federal de Medicina, Resolução 2.215/2018). Para entender melhor, veja como ler o resultado do prick test.

Prick test ou exame de sangue para alergia respiratória?

Na investigação de alergia respiratória, o prick test é o exame de primeira escolha para alergia mediada por IgE, conforme as principais sociedades médicas (Organização Mundial de Alergia, Ansotegui et al., 2020; EAACI na Europa; ASBAI no Brasil). O exame de sangue (IgE específico in vitro) é uma alternativa, indicada pelo médico em algumas situações. As principais diferenças:

AspectoPrick test (pele)Exame de sangue (IgE in vitro)
Onde é feitoNa pele do antebraço, no consultórioColeta de sangue enviada ao laboratório
ResultadoNo mesmo atendimento, em cerca de 15 minutosEm outro dia, conforme o laboratório
Faixa de preço particularR$ 150 a R$ 400 por sessãoR$ 300 a R$ 600 por painel

Os dois exames são válidos e, em algumas situações, se complementam — a decisão é sempre do médico. Para ir mais fundo, veja prick test x exame de sangue (IgE) e quanto custa o prick test.

O que muda no tratamento depois do resultado

Saber qual aeroalérgeno dispara a rinite ou a asma permite um tratamento direcionado, em vez de só apagar incêndio com remédio:

  • Controle do ambiente: capas antialérgicas e limpeza para ácaros, controle de umidade e mofo para fungos, manejo do contato com animais, controle de baratas e atenção ao pólen na estação.
  • Medicação orientada pelo médico: anti-histamínicos, corticoide nasal e, na asma, os medicamentos próprios para controle das crises.
  • Imunoterapia (a “vacina de alergia”): indicada pelo médico em casos selecionados de sensibilização confirmada com sintomas persistentes. Pode mudar o curso da doença na rinite e na asma alérgica, e existe nas formas injetável e sublingual.

Em todos os casos, quem indica o exame, define o painel, lê o resultado e decide o tratamento é o médico. Esta página é informativa e não substitui a consulta. Para entender o exame por inteiro, comece pelo guia completo do prick test.

Perguntas frequentes

Quais alérgenos são testados na rinite alérgica?

O painel respiratório no Brasil costuma incluir ácaros da poeira (Dermatophagoides pteronyssinus, D. farinae e Blomia tropicalis), pelos de cão e gato, fungos (como Aspergillus e Alternaria) e baratas. Em algumas regiões, principalmente no Sul, o pólen também entra. Quem define o painel é o médico, a partir da sua história clínica.

O prick test serve para investigar asma?

Sim. Boa parte das asmas, sobretudo em crianças e jovens, tem um componente alérgico. Identificar o aeroalérgeno que dispara as crises ajuda o médico a orientar o controle ambiental e a decidir sobre tratamentos como a imunoterapia. O prick test é o exame de primeira escolha para investigar a alergia mediada por IgE (Organização Mundial de Alergia, Ansotegui et al., 2020).

O prick test dói?

É um procedimento de superfície, feito com micropontas plásticas na pele do antebraço, sem agulha de coleta de sangue. A maioria das pessoas sente apenas uma picadinha ou uma coceira leve por alguns minutos. Não é uma coleta de sangue.

Preciso parar de tomar antialérgico antes do teste?

Em geral sim. Anti-histamínicos (os remédios de alergia) podem mascarar a reação na pele e atrapalhar a leitura, por isso costumam ser suspensos alguns dias antes. Quem orienta exatamente o que parar e por quanto tempo é o médico que vai pedir o exame — não interrompa nenhum remédio por conta própria.

Teste positivo para ácaros quer dizer que sou alérgico?

Não necessariamente. Um teste positivo mostra que existe sensibilização àquele alérgeno, mas só vira diagnóstico de alergia quando bate com os seus sintomas. É o médico quem cruza o resultado com a sua história — alguém pode ter teste positivo e nenhum sintoma. A interpretação e o laudo são um ato exclusivo do médico (Conselho Federal de Medicina, Resolução 2.215/2018).

Qual a diferença entre o prick test e o exame de sangue de alergia?

O prick test é feito na pele e dá o resultado no mesmo atendimento, em cerca de 15 minutos. O exame de sangue (IgE específico in vitro) é uma coleta enviada ao laboratório, com resultado em outro dia. Os dois são válidos e às vezes se complementam; a escolha é do médico. Veja a comparação detalhada em prick test x exame de sangue (IgE).

Quanto custa o teste de alergia respiratória?

No particular, o prick test costuma ficar entre R$ 150 e R$ 400 por sessão, dependendo da clínica, da cidade e de quantos alérgenos entram no painel. Convênios costumam cobrir conforme a indicação médica e o SUS oferece em serviços de alergologia. Mais detalhes na página quanto custa o prick test.

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