Alergia a animais · Paciente

Teste de alergia a cão e gato

Espirros, coceira nos olhos e nariz entupido perto do seu pet não significam, necessariamente, que você precisa se livrar dele. Antes de qualquer decisão, vale entender o que realmente está acontecendo: a alergia quase nunca é ao pelo em si, e sim a proteínas que o animal espalha pela casa. Esta página explica os alérgenos de verdade do gato (Fel d 1) e do cão (Can f 1), os sintomas, como o prick test (teste cutâneo de alergia) ajuda o médico a confirmar o gatilho e o que dá para fazer — sem prometer milagre e sem decidir por você.

Resposta rápida

A alergia é ao pelo do cão e do gato?

Não. O pelo é só o transporte. A reação alérgica é a proteínas presentes na saliva, na pele (caspa) e na urina do animal — no gato, principalmente a Fel d 1; no cão, a Can f 1. Essas proteínas grudam no pelo e em pequenas partículas que ficam no ar e na poeira da casa. O prick test ajuda o médico a confirmar se você é sensibilizado a cão e/ou gato, mas o diagnóstico só fecha quando o resultado bate com os seus sintomas.

A alergia não é ao pelo — é a proteínas que o pelo carrega

Esta é a parte que mais surpreende quem tem um animal em casa: o pelo, sozinho, não causa alergia. Ele funciona como um transporte. O que dispara os espirros, a coceira e o nariz entupido são proteínas que o animal produz e que ficam grudadas no pelo, na caspa (pequenas escamas de pele) e em partículas minúsculas espalhadas pela casa.

Por isso ajustar o pelo do bicho — aparar, escovar, escolher uma raça que solta menos — alivia só em parte. A proteína continua sendo produzida e liberada. Essas partículas são leves, ficam suspensas no ar por horas, grudam em sofá, cortina, roupa e colchão, e podem estar presentes mesmo em ambientes onde nunca houve um animal, carregadas na roupa das pessoas.

Quais são os alérgenos de verdade: Fel d 1 e Can f 1

Cada espécie tem suas próprias proteínas alergênicas, com nomes técnicos padronizados internacionalmente. Conhecer os dois principais ajuda a entender por que cão e gato são testados em separado.

Gato: a proteína Fel d 1

O alérgeno mais importante do gato é a Fel d 1. Ela é produzida principalmente nas glândulas da pele e na saliva. Quando o gato se lambe — e gatos se lambem o tempo todo —, espalha a proteína pelo corpo; ao secar, ela se desprende em partículas muito pequenas e leves. É por isso que a alergia a gato tende a ser intensa e a se manter no ambiente por bastante tempo, mesmo depois que o animal sai do local.

Cão: a proteína Can f 1 (e companhia)

No cão, a principal é a Can f 1, presente sobretudo na saliva e na pele. Existem outras proteínas relevantes do cão (de números seguintes, como Can f 2 e Can f 5), e algumas variam de um cachorro para outro. Em comparação com o gato, a alergia a cão costuma ser, na média, um pouco menos intensa — mas isso muda de pessoa para pessoa, e há quem reaja fortemente ao cão.

Vale lembrar: por serem proteínas diferentes, dá para ser alérgico a um e não ao outro. Daí a importância de testar cão e gato separadamente, em vez de tratar tudo como “alergia a pelo de bicho”.

AnimalPrincipal alérgenoOnde a proteína está
GatoFel d 1Saliva e glândulas da pele; espalhada ao se lamber
CãoCan f 1 (entre outras)Saliva, pele (caspa) e urina

Os sintomas da alergia a cão e gato

Os sinais aparecem quando a pessoa sensibilizada inala ou entra em contato com o alérgeno. Costumam ser:

  • Respiratórios: espirros em sequência, coriza, nariz entupido, coceira no nariz — o quadro de rinite alérgica. Em quem tem asma, a exposição pode disparar chiado no peito, tosse e falta de ar.
  • Nos olhos: coceira, vermelhidão e lacrimejamento, a conjuntivite alérgica, em geral acompanhando a rinite.
  • Na pele: ao contato direto (lambida, abraço no pet, manuseio), pode surgir coceira, vermelhidão ou urticária localizada.

Um detalhe importante: como a proteína fica suspensa e se acumula no ambiente, os sintomas nem sempre aparecem só na presença do animal. Pode dar para perceber piora ao entrar em uma casa com gato, ou conviver com sintomas leves o tempo todo dentro de casa sem ligar a causa ao pet. Sobre o eixo respiratório como um todo, veja a página de prick test para rinite e asma.

Como o prick test identifica a alergia a cão e gato

O prick test é o exame mais usado para investigar alergia mediada por IgE, e é considerado o de primeira escolha pelas principais sociedades médicas (Organização Mundial de Alergia, Ansotegui et al., 2020). Ele é simples, rápido e feito no próprio consultório:

  • O médico ou a equipe coloca pequenas gotas dos alérgenos do painel — incluindo extrato de gato e de cão — na pele do antebraço.
  • Em cada gota, faz-se uma micropuntura de superfície com uma microponta plástica (sem agulha de coleta e sem tirar sangue), para que um pouquinho do alérgeno toque a camada mais externa da pele.
  • Espera-se cerca de 15 minutos.
  • A leitura é feita ali mesmo, comparando as reações na pele.

Por ser um procedimento de superfície, praticamente não dói: a maioria das pessoas relata apenas uma picadinha leve ou uma coceira passageira no local.

Todo prick test bem feito traz dois controles obrigatórios: a histamina (controle positivo, que deve formar uma pequena pápula e mostra que a pele está reagindo) e um líquido neutro, como soro fisiológico (controle negativo, que não deve reagir). Sem esses dois controles, o resultado não pode ser interpretado com segurança. Quando o painel é maior — algo entre 8 e 10 alérgenos é comum na investigação respiratória, e o número exato varia conforme o método —, existem sistemas que aplicam vários alérgenos de uma só vez, em uma única passada padronizada, deixando a dose mais uniforme.

Como o resultado é lido

Passados os 15 minutos, o médico compara cada reação com o controle negativo:

O que aparece na peleO que costuma significar
Pápula (relevo) de 3 mm ou mais que o controle negativoResultado positivo: há sensibilização àquele alérgeno (gato e/ou cão)
Reação menor ou ausenteResultado negativo: baixa probabilidade de alergia mediada por IgE àquele alérgeno

E aqui vem o ponto que evita muita decisão precipitada: teste positivo para gato ou cão não é o mesmo que doença alérgica. Ele mostra sensibilização — o corpo reconhece a proteína —, mas só vira diagnóstico quando bate com os seus sintomas. Existe gente com teste positivo e nenhum sintoma. Quem faz essa ponte é o médico, cruzando o resultado com a sua história. A interpretação e o laudo são um ato exclusivo do profissional (Conselho Federal de Medicina, Resolução 2.215/2018).

Prick test ou exame de sangue para alergia a pet?

Na investigação de alergia a cão e gato, o prick test é o exame de primeira escolha para alergia mediada por IgE. O exame de sangue (IgE específico in vitro) é uma alternativa, indicada pelo médico em algumas situações — por exemplo, quando a pele não pode ser testada ou quando se quer dosar proteínas específicas. As principais diferenças:

AspectoPrick test (pele)Exame de sangue (IgE in vitro)
Onde é feitoNa pele do antebraço, no consultórioColeta de sangue enviada ao laboratório
ResultadoNo mesmo atendimento, em cerca de 15 minutosEm outro dia, conforme o laboratório
Faixa de preço particularR$ 150 a R$ 400 por sessãoR$ 300 a R$ 600 por painel

Os dois exames são válidos e, em algumas situações, se complementam — a decisão é sempre do médico. Para ir mais fundo, veja prick test x exame de sangue (IgE) e quanto custa o prick test.

O que fazer depois de confirmar a alergia (sem decidir sozinho)

Confirmada a alergia a cão e/ou gato — teste positivo somado a sintomas —, existe um leque de medidas. Boa parte permite continuar convivendo com o animal. A escolha do caminho é uma decisão médica, que pesa a gravidade dos sintomas, a presença de asma e o seu vínculo com o pet.

Medidas em casa para reduzir a exposição

  • Manter o quarto livre do animal. É onde você passa mais horas; impedir o acesso à cama e ao quarto reduz bastante a exposição durante o sono.
  • Limpeza frequente e uso de aspirador com filtro fino (HEPA). Ajuda a remover partículas de sofá, tapete e cortina, onde o alérgeno se acumula.
  • Lavar tecidos e capas com regularidade. Roupa de cama, mantas e tapetes guardam alérgeno; lavar com frequência reduz o acúmulo.
  • Arejar e, quando possível, reduzir tapetes e estofados. Superfícies lisas acumulam menos alérgeno e são mais fáceis de limpar.
  • Lavar as mãos depois de mexer no animal e evitar levar a mão ao rosto e aos olhos.

Essas medidas reduzem a quantidade de alérgeno, mas dificilmente zeram — lembre que a proteína é leve e persistente. Por isso costumam vir combinadas com o que o médico indicar.

Medicação e imunoterapia

O médico pode orientar medicação para controlar os sintomas (anti-histamínicos, corticoide nasal e, em quem tem asma, os medicamentos próprios). Em casos selecionados de sensibilização confirmada com sintomas persistentes, pode-se considerar a imunoterapia(a popular “vacina de alergia”), que busca dessensibilizar o organismo ao alérgeno ao longo do tempo e existe nas formas injetável e sublingual. Indicar ou não a imunoterapia é uma decisão médica individual.

E a difícil pergunta: preciso me separar do animal?

Para muita gente, o pet é parte da família, e a ideia de doá-lo é dolorosa. A boa notícia é que, na maioria dos casos leves a moderados, dá para conviver com o animal combinando controle ambiental, medicação e acompanhamento. Em situações mais graves — asma de difícil controle, por exemplo —, o médico pode discutir reduzir o contato. Essa é uma decisão clínica e pessoal, tomada junto com o profissional, não algo que um resultado de exame decide sozinho.

Em todos os casos, quem indica o exame, define o painel, lê o resultado e decide o tratamento é o médico. Esta página é informativa e não substitui a consulta. Para entender o exame por inteiro, comece pela visão geral do teste de alergia, e veja também a alergia a ácaros, que costuma andar junto com a alergia a pet dentro de casa.

Perguntas frequentes

Existe cachorro ou gato hipoalergênico?

Não no sentido de “não causar alergia”. Nenhuma raça é livre de alérgeno, porque a proteína que causa a reação está na saliva, na pele e na urina — não no comprimento do pelo. Animais que soltam menos pelo podem espalhar menos partículas pela casa, o que ajuda um pouco, mas não eliminam o alérgeno. Estudos não confirmam diferença consistente entre raças ditas hipoalergênicas e as demais.

Posso ser alérgico a gato e não a cachorro (ou o contrário)?

Sim, é comum. São proteínas diferentes (Fel d 1 no gato, Can f 1 no cão), então dá para ser sensibilizado a um e não ao outro. Algumas pessoas reagem aos dois. Por isso o prick test costuma testar cão e gato separadamente — o resultado mostra a qual deles você responde.

O prick test para cão e gato dói?

É um procedimento de superfície, feito com micropontas plásticas na pele do antebraço, sem agulha de coleta de sangue. A maioria das pessoas sente apenas uma picadinha ou uma coceira leve por alguns minutos. Não é uma coleta de sangue.

Teste positivo para gato quer dizer que tenho que doar o animal?

Não. Um teste positivo mostra sensibilização — o corpo reconhece o alérgeno —, mas só vira diagnóstico de alergia quando bate com os seus sintomas. O que fazer a partir daí (medidas em casa, medicação, imunoterapia ou, em casos específicos, repensar a convivência) é uma conversa com o médico, que pesa sintomas, gravidade e o seu vínculo com o pet. A interpretação e o laudo são um ato exclusivo do médico (Conselho Federal de Medicina, Resolução 2.215/2018).

Precisei me afastar do animal antes de fazer o teste?

Não. O que costuma ser orientado parar antes do exame são os anti-histamínicos (os remédios de alergia), porque eles podem mascarar a reação na pele e atrapalhar a leitura. Quem diz exatamente o que suspender e por quanto tempo é o médico que vai pedir o teste — não interrompa nenhum remédio por conta própria.

Qual a diferença entre o prick test e o exame de sangue para alergia a pet?

O prick test é feito na pele e dá o resultado no mesmo atendimento, em cerca de 15 minutos. O exame de sangue (IgE específico in vitro) é uma coleta enviada ao laboratório, com resultado em outro dia. Os dois são válidos e às vezes se complementam; a escolha é do médico. Veja a comparação em prick test x exame de sangue (IgE).

Quanto custa o teste de alergia a cão e gato?

No particular, o prick test costuma ficar entre R$ 150 e R$ 400 por sessão, dependendo da clínica, da cidade e de quantos alérgenos entram no painel. O exame de sangue (IgE específico in vitro) costuma ficar entre R$ 300 e R$ 600 por painel. Convênios costumam cobrir conforme a indicação médica e o SUS oferece em serviços de alergologia.

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